FREE MIND


sexta-feira, 13 de maio de 2011

crise.

Ainda me lembro daquele dia, chegávamos de um restaurante, tinhamos decidido nos reconcilhar, foi uma briga, uma exigência atrás da outra, consequêntemente vinha um arrependimento sem tamanho. Você ia dormir em casa, nós iríamos nos aninhar novamente, dormir de conchinha, pertencer um ao outro. Falando sem parar sobre alguma “besteira” qualquer você pega num sono e eu fico com raiva, raiva por não prender mais sua atençao em mim por mais de 5 minutos, raiva por você não ter mais interesse em minhas palavras. Deito na cama. Me reviro de um lado para o outro, uma lágrima escorre, sinto que o fim está próximo, sinto que o amor existente já não é o suficiente para deter os anos de convivência e intimidade. Pego um bloquinho no criado-mudo, escrevo tudo o que penso, tudo o que gostaria de falar para você, desabafo. Me mexo mais e mais para tentar chamar sua atençao. Você dorme como uma pedra. Começamos a discutir, um acusando o outro, um sem paciência com o outro, um esquecendo de quem é o outro e mais, do sentimento que nos nutre e nos mantém naquela mesma cama. As palavras que tenho mais medo começam a sair em câmera lenta da sua boca, o som bate, volta e bate de novo no meu coração e sinto como se acabo de levar uma pancada que me derruba do décimo andar de um prédio. “Acho que temos que dar um tempo... vai ser melhor para nós dois”. Choro, mas choro muito, sinto uma dor profunda, um medo. Medo de perder quem eu amo, medo de perder a pessoa de quem deveria estar cuidando e não brigando. Arrependimento profundo de ter causado o fim. Arrependimento. Você? Sempre calmo, tranquilo, paciente, e se estava desesperado, não transpareceu. Foi a gota d'àgua. Você me acalma. Eu sei que preciso dormir um pouco. Você quer ir embora, eu peço que fique, “está tarde, perigoso não acha?” No dia seguinte acordo como se tivesse comido chumbo e agora minhas pernas já não aguentam mais o peso do meu próprio corpo. Acordo mais cedo que você, dou um beijo, vou embora. Acordo já chorando, angustiada, sofrendo por não saber o que mais poderia acontecer, por não saber se tudo era definitivo ou passageiro. Choro, choro muito. Quando volto encontro um bilhete seu, dizendo para me acalmar que tudo era pro nosso bem, que tudo era por amor, que eu fui feita pra você e vice-versa, que você me amava. “Voce é forte, você aguenta, eu sei que sim”. Minha vontade é de gritar “não, eu não aguento e vou morrer, você quer isso?” mas já é tarde, você já se foi. Como pôde fazer isso? Escrever um bilhete com mentiras, promessas que no mesmo minuto que a tinta marcava o papel você sabia que não seriam cumpridas. Para mim isso é pura crueldade, maldade, mas tambem medo, covardia. Foi tudo para o nosso bem não foi? Você disse que me amava então porque me largou? Estava tudo já matutado e planejado? O meu assassinato foi premeditado não foi? Eu sei a resposta então porque ainda faço tantas perguntas? Jurava que o nosso amor, por mais que clichê, jurava que ele era pra sempre, sim, eu achava que como você e eu jamais existiria no mundo, você mesmo me disse isso. Por quê? Jamais esperei tudo isso, jamais acreditei no fim de verdade, acreditei no passageiro, na minha vontade de lutar por você e pelo nosso amor, afinal eramos nós, o melhor casal do mundo com os defeitos normais de qualquer casal!!! Nunca vou conseguir achar todas as respostas para todas as infinitas perguntas que circundam meus pensamentos, dúvidas cruéis de porque e como, mas sei que se as coisas são assim é porque era pra ser, ou sei que o melhor é acreditar nesse velho ditado que me conforta meio a lágrimas.

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